terça-feira, 19 de setembro de 2017

Taça Tapajós - Repa x Raifran






Tornei da pré-temporada do Parazão.

Jogo 1 - Remo x Paysandu
Jogo 2 - São Raimundo x São Francisco

Final - Vencedor do jogo 1 x Vencedor do jogo 2

Entrega das premiações - Festa dos boleiros no Panterão. 

"Os amistosos de pré-temporada disputados nos Estados Unidos, que se tornaram tradicionais nos últimos anos, ganharão um novo patamar de grandeza em 2017. Nesta sexta-feira (10), a organização da International Champions Cup informou que Barcelona e Real Madrid se enfrentarão em Miami, no dia 29 de julho."

"A cada pré-temporada, os principais clubes da Europa testam a sua popularidade em amistosos e treinos nos mais diversos – e ricos – cantos do mundo. Seduzidos por milhões de dólares, Real Madrid, Barcelona, Chelsea, Bayern de Munique, entre outros, se acostumaram a fazer a preparação para o longo ano de competições em países como Catar, Estados Unidos, China, Japão e Emirados Árabes Unidos. Só que, neste meio de ano, um único torneio reunirá estes e outros gigantes do Velho Continente: a International Champions Cup.
Em sua quinta edição, o torneio amistoso está maior do que nunca. Serão 15 dos maiores clubes do planeta divididos em três sedes – Estados Unidos, China e Cingapura -, em busca de um bom início de trabalho na temporada, mas, principalmente, de expandir suas marcas e lucrar com a generosa oferta financeira da organização."

"Após o encerramento da campanha do São Bernardo na Copa São Paulo de Futebol Júnior, quatro atletas foram convocados pelo técnico Sergio Vieira para participar da pré-temporada junto ao elenco profissional. O goleiro Arthur Facas, o volante Rodolfo, o meia Samuel e o atacante Wesley integrarão o time principal a pedido do treinador.
“O intercâmbio entre base e profissional é bastante intenso no São Bernardo. Buscamos jovens jogadores para lapidar e utilizar no time principal. Além do retorno dentro de campo, o clube pode se aproveitar da valorização do jogador e conseguir uma venda importante para o caixa”, disse Edson Boaro, diretor de base do São Bernardo.
Dentro do elenco é sabido que ‘pratas da casa’ têm espaço para mostrar seu valor não apenas nos treinamentos."



Projeto Taça Tapajós

  • Data de inicio:
  • Período:
  • Jogos:
  • Local de execução: Campos a decidir.
  • Público alvo: Jovens e Adultos.
  • Parcerias: Prefeitura, SEMED, ISES...
  • Elaboração: SEMED - NEL
 

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A Origem Econômica do Estado Moderno - Gênova



Texto Base: A Configuração Econômica do Estado na Sociedade Capitalista Contemporânea. Mário João Figueiredo.



RESUMO



O que se pretende neste texto é uma possível origem econômica para o Estado Moderno, qual seja, uma tendo como base a concepção marxista. A exposição será iniciada pela apresentação do pensamento de Marx e Engels sobre o assunto. A opção por se apresentar a concepção do mercantilismo de Estado de alguns autores num mesmo momento decorre da comunhão de pensamento de ambos conceitos sobre os temas abordados em sala de aula, mas principalmente pelo fato de que a explicitação dos pensamentos ocorrem numa obra que compila o pensamento de vários autores.


INTRODUÇÃO


O Capitalismo Comercial, Mercantilismo, é conhecido como a primeira fase do Capitalismo. Sua gestação começou no Renascimento Comercial dos séculos XIII e XIV, com as navegações marítimas no Mediterrâneo. Porém, o Capitalismo Comercial ganhou força no início no século XV com o desenvolvimento burgos, pequenas cidades autônomas e independentes, e da burguesia comercial europeia. As grandes navegações e conquistas marítimas dos séculos XV e XVI foram de fundamental importância para o desenvolvimento do capitalismo neste momento. Os locais onde o capitalismo comercial mais se desenvolveu foram: cidades italianas de Gênova e Veneza.

Mercantilismo: era uma política econômica que priorizava o protecionismo alfandegário, Pacto Colonial (relações comerciais exclusivas entre Metrópole e Colônia) e a balança comercial favorável (mais exportações do que importações), o acúmulo primitivo de capital através do metalismo, acumulação de ouro e prata, que mais tarde foram usados para cunhar moeda. O acúmulo de moedas requereu a criação de instituições fortes que guardassem e dessem segurança à riqueza produzida, estas instituições deram origem aos bancos. O desenvolvimento do sistema bancário favoreceu o avanço do capitalismo comercial e sua transição para a segunda fase do Capitalismo.

A acumulação primitiva do capital e o princípio da poupança.

Acumulação primitiva do capital foi o processo de acumulação de riquezas ocorrido na Europa entre os séculos XVI e XVIII, que segui a fase de acumulação das cidades italianas no séculos anteriores, que possibilitou as grandes transformações econômicas da Revolução Industrial, àquela fase, para efeito de desambiguação chamaremos de Acumulação Originária. Acumulação primitiva do capital foi estudada e descrita por Karl Marx, que tomou a Inglaterra como modelo de sua teoria. A acumulação primitiva de capital para Marx se desenvolveu a partir de dois pressupostos: um foi a concentração de grande massa de recursos (dinheiro, ouro, prata, terras) nas mãos de um pequeno número de proprietários; outro foi a formação de um grande contingente de indivíduos despossuídos de bens e obrigados a vender sua força de trabalho aos senhores de terra e donos de manufaturas. Historicamente, isso foi possível graças às riquezas acumuladas pelos negociantes europeus com o tráfico de escravos africanos, com o saque colonial e a apropriação privada das terras comunais dos camponeses, com o protecionismo às manufaturas nacionais e com o confisco e venda a baixo preço das terras da Igreja por governos revolucionários. Com o advento da Revolução Industrial, conclui Marx, a acumulação primitiva foi substituída pela acumulação capitalista, porém esta acumulação primitiva só ocorreu por que em alguma parte da Europa antes da Inglaterra, alguém se preocupou em poupar para acumular, para depois investir, que trataremos como Acumulação Originária.  


Esta acumulação originária desempenhou na economia política aproximadamente o mesmo papel que o pecado original na teologia. Adão deu uma dentada na maçã, e deste modo o pecado desceu sobre o gênero humano. A origem daquele é explicada ao ser contada como anedota do passado. Num tempo remoto havia, de um lado, uma elite diligente, inteligente, e sobretudo frugal, e do outro uma escumalha preguiçosa, que dissipava tudo o que tinha e mais.

O dinheiro e a mercadoria não são desde o início capital, tão-pouco os meios de produção e de vida. Carecem da transformação em capital. Mas esta mesma transformação só pode processar-se em circunstâncias determinadas, que se condensam no seguinte: duas espécies muito diferentes de possuidores de mercadorias têm de se pôr frente a frente e entrar em contacto, de um lado proprietários de dinheiro, de meios de produção e de vida, aos quais o que interessa é valorizar a soma de valor por eles possuída por meio da compra de força de trabalho alheia; do outro lado trabalhadores livres, vendedores da força de trabalho própria e por isso vendedores de trabalho.  

A estrutura econômica da sociedade capitalista saiu da estrutura econômica da sociedade feudal via cidades italianas, em especial Gênova. A dissolução sociedade feudal libertou os elementos da sociedade capitalista.

O ponto de partida do desenvolvimento que gera tanto o operário assalariado como o capitalista foi a servidão do trabalhador. O progresso consistiu numa mudança de forma desta servitude, na transformação da exploração feudal em capitalista. Para compreender o seu curso não precisamos de recuar muito. Embora os primeiros começos de produção capitalista se nos deparem esporadicamente já nos séculos XIX e XV em algumas cidades do Mediterrâneo, a era capitalista data apenas do século XVI. Ali onde ela aparece está a abolição da servidão há muito consumada, e o ponto mais brilhante da Idade Média, a existência de cidades soberanas, desde longo tempo a empalidecer.

Foi na Itália que a produção capitalista se desenvolveu mais cedo,embrionariamente, também foi lá que a dissolução das relações de servidão teve lugar mais cedo, nas cidades autônomas italianas. O servo foi lá emancipado antes de ter assegurado qualquer direito prescritivo à terra. A sua emancipação transforma-o, portanto, imediatamente num proletário fora-da-lei que, para mais, encontra os novos senhores à sua espera nas cidades, na sua maioria já legadas do tempo dos romanos. Quando a revolução do mercado mundial desde o fim do século XV, aniquilou a supremacia comercial da Itália do Norte, nasceu um movimento em direção inversa. Os operários das cidades foram empurrados em massa para o campo e aí deram um impulso nunca visto à pequena cultura, conduzida segundo a maneira da jardinagem. (Nota de Marx.)



O PRIMEIRO CICLO SISTÊMICO DE ACUMULAÇÃO: O CAPITALISMO GENOVÊS

O capitalismo financeiro embrionário genovês desenvolveu-se (século XIV) sob o impacto das mesmas circunstâncias sistêmicas do capitalismo financeiro de outras cidades-Estado italianas - Milão, Florença e Veneza. À medida que se intensificavam as pressões competitivas e que houve uma escalada na luta pelo poder, o capital excedente, que já encontrava investimentos lucrativos no comércio, foi mantido em estado de liquidez e usado para financiar a crescente dívida pública das cidades-Estado, cujo patrimônio e receita futura foram mais completamente alienados do que nunca a suas respectivas classes capitalistas.
Com a fundação da Casa di San Giorgio em 1407, em Gênova, criou-se uma instituição de controle das finanças públicas por credores privados, ocorrendo 3 séculos antes do Banco da Inglaterra. As raízes da excepcionalidade genovesa estavam em suas origens aristocráticas de seu capitalismo e na precocidade com que a Gênova havia anexado a região rural circundante. Em Gênova a relocação do capital excedente do comércio de longa distância para os investimentos na posse de terras e na gestão do Estado ocorreu de um modo diferente de suas concorrentes Veneza e Florença. A transferência em Gênova foi promovida e organizada por uma aristocracia rural revigorada pela expansão comercial anterior, como um meio de reafirmar em maior escala seu controle monopolístico. Longe de beneficiar as classes mercantis urbanas, essa relocação criou uma barreira social insuperável para a expansão interna de sua riqueza e poder.
O governo genovês se mostrou incapaz de resolver os problemas da cidade-estado, porém resolveu os problemas financeiros da cidade. Se a ideologia da “moeda forte” tomou força na Inglaterra do século XIX e nos círculos acadêmicos dos EUA, sua prática floresceu em Gênova. Essa é a perspectiva deste texto.

REFERÊNCIAS

Capitalismo Comercial - In: https://www.suapesquisa.com/capitalismo/capitalismo_comercial.htm

O Capital. A Chamada Acumulação Original - In: https://www.marxists.org/portugues/marx/1867/capital/cap24/cap01.htm


O PRIMEIRO CICLO SISTÊMICO DE ACUMULAÇÃO: O CAPITALISMO GENOVÊS - In: http://www.historialivre.com/moderna/genoves.ht

O que é acumulação primitiva do capital? - In: http://klickeducacao.com.br/bcoresp/bcoresp_mostra/0,6674,POR-971-6696,00.html





sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Casos de PANEMAGEM 4 - A Notícia


In: http://www.recantodasletras.com.br/contosdeterror/4541995

"Nos dias que se seguiram, minha panemagem* começou. .... de banshee, o espírito funesto que prediz e em alguns casos causa a morte no folclore irlandês."

Casos de PANEMAGEM 3 - E A CASA CAIU





In: http://clickgratis.blog.br/ascomvence/173316/e-a-casa-caiu.html

Eh, manozinho urubu quando tá de azar o de baixo caga o cima. sai pra lá piema! A PANEMAGEM é pra lá de enorme. Agora que a gente tava se acostumando a ideia de trabalhar numa casa de lata, no porto de Manaus, se depara com uma situação bisonha que só briga de cachorro grande. Os poderosos estão definhando numa guerra ingloria onde só os interesses imediatos são considerados. É um fisiologismo de fazer inveja a Narciso ou até mesmo ao Fiher nos auges do Nazismo alemão. Eles se acham no direito de decidir nosso destino, nossa vida e até nossa morada. Salta de banda e assim mesmo cai no falo. Ou mato ou morro, não sei se a gente corre pro mato ou corre pro morro. Se correr o bicho pega se ficar o bicho come. pelo mesmo durante esse conflito teremos que esperar por aqui mesmo. É um desreipeito com o dinheiro público que está no bolso deles. Um manda construir com todas as superfaturações de praxe e o outro acha que ta ruim e manda derrubar, saudosa maloca, tudo isso a troco de idealismos inglorios. Mas, macaco velho não mete mão em cumbuca ja que eles não tem o que fazer ficam inventando trabalho. Alias, o destrabalho, porque a ordem é desmachar  o serviço. E já que assim nossos irmãos trabalhadores tem que cobrar dobrado. fazer é facil desfazer é tedioso.
Se o senhor Atrazonino quiser podemos ir pra antiga prefeitura, ou então que sabe, ele coloque o camelódromo numa enorme balsa. Isso facilitaria o cumprimento das mudanças de humor dos  figurões magistrados e do prefeito e até mesmo dos Edil-otas. E assim estariamos como bosta nágua a mercer dos ventos das paixonites, devaneios e chiliques dos cartolas. A nós, nos cabe apenas se conformar e pedir a Deus dias melhores, pois se depender dos raposas as coisas ficarão cada vez mais tenebrosas. Sinistra é a esquerda que antes era direita, agora é torta e se dedica cada vez em babar ovo dos direitistas. Vamos ter muita calma nessa hora afinal não adianta lutar contra a corrente. melhor deixar o barco correr, na esperança de melhores dias.

Caso de PANEMAGEM - 2 - Urucubaca!


In: http://amapanocongresso.blogspot.com.br/2008/11/gilvan-borges.html

Sabe aqueles dias em que tudo dá errado?! O cara cai de costas e finda quebrando os sacos velhos; esmigalha os dedos ao fechar a porta... coisas do tipo. Pois bem, no período eleitoral acontece, e como acontece, tanto com o candidato quanto com os cabos eleitorais.Na reta final deste pleito, o Dr. Ubiratan e o jornalista João Silva que o digam. Irmãos de sangue e de ideologia estavam no front vigiando os eleitores que passavam na rua, quando, de repente um motoqueiro com uma bandeira amarela fincada na moto, foi abordado pelo Depu-tado Davi Alcolumbre que com seu jeitão espontâneo foi saltando do carro dizendo: - amigo baixa essa bandeira que tua vida será outra a partir de agora. Isso ai dá muito atraso.Do outro lado da rua os irmãos Cosme e Damião que estavam à espreita, atravessaram a rua fazendo o maior escândalo, dizendo aos gritos: - não compre a consciência alheia! E o entrevero começou. Davi do alto de sua força física avermelhou a face, o seu cérebro mandou rispidamente o comando: - dá um soco na cara dele! Mas foi contido por um amigo que vendo a situação falou: - não bate senão tu matas esse bai-xinho de olho amarelo e cara de macaco da noite.Após a contenda Davi seguiu para encontrar-se com o Pierre e relatar o episódio. Os irmãos coragem seguiram para a casa amarela no Pacoval a fim de relatarem o ocorrido ao confrade Corrêa Neto. Após discorrerem sobre os fatos, estavam quase no portão de saída quando um ônibus desgovernado arrancou metade do carro do João Silva. Feita a ocorrência policial as autoridades liberaram os dois. Mais à frente foram interceptados na contramão por uma blitz. Estavam sem documentos e foram multados.Logo após esses catastróficos episódios o resultado das eleições foi proclamado: Roberto Góes foi eleito Prefeito de Macapá.Dizem que o alto clero pessebista, em reunião secreta, decretou uma quarentena, seguida de muitos banhos de sal grosso com alho roxo, mucura caá e arruda. Os dois não podem dar as caras nesse período. PANEMAGEM não é pão...Pelo pouco que entendo a uruca requer muito mais que banhos. É bom irem a uma Igreja para pedir reforço espiritual, pois é o ódio que mais atrai energias negativas.Misericórdia!

Gilvan borges - Senador do Amapá

Caso de PANEMAGEM 1 - A História do Gonçalo


In: http://casteloroger.blogspot.com.br/2011/05/historias-da-vo-nikita-historia-do.html

Raimunda recolheu-se ao barracão e contou os fatos ao Gonçalo, seu pai. Evidentemente o homem ficou cismado, pois conhecia todo mundo naquelas paragens e nada sabia dos sujeitos.
 
Na hora de maior sono, palmas em frente à casa. Gonçalo pulou da cama e foi verificar, nada de gente! E palmas novamente! O homem começou a ficar bravo e espraguejar, principalmente pelas pedradas seguidas que se iniciaram sobre a casa. Só pode ser moleque, certamente esses rapazes que sua filha viu e que deveriam estar com ela para roubar-lhe e sumir no mundo. A cada pedrada e palmas o homem ficava mais furioso ainda, a ponto de dicutir ferrenhamente com seus parentes. Gritava, espraguejava, e queria agredir sua filha, a quem sempre acusava. Para maior espanto de seus familiares, qual a razão disso? Já que nada viam ou ouviam!
 
O Gonçalo estava transformado, parecia não ser o mesmo. Só quando suas forças se esgotaram que dormiu profundamente, para alívio de todos, tão assustados e sem o porquê da situação.
 
Os dias seguintes não foram mais os mesmos..... Gonçalo entrara numa situação de abatimento profundo. Pouco falava, desinteressado de tudo e com longas horas falando baixinho e sozinho. Buscavam e imaginavam causas a essa “PANEMAGEM” mas, em terras onde acreditava-se em uiara e matinta-pereira, de benzedeiras e pajelanças (únicos meios de se agarrar a uma “assistência em saúde”) logo se mitificou a situação. Lembraram da história da Raimunda e dos rapazes desconhecidos e concluíram: Só poderiam ser botos “mundiando” mais uma pobre alma para  carregá-la a seu mundo encantado. 
 
Talvez por quererem ver, acreditarem sinceramente nestas coisas, houve muitos relatos de verem o Gonçalo, que gostava de ficar sozinho na ponta do trapiche, estar sempre acompanhado e conversando com três rapazes. Uns contaram até que avistaram um deles pulando na água e sumindo, aparecendo logo em seguida um boto. Diga-se aqui que era comum botos transitarem por essas paragens, principalmente nos horários de menor movimento, como no entardecer e perto do trapiche...tão avançado no rio.  
 
Acreditando-se ou não, diante do sentimento de impossibilidade de curar o Gonçalo, deixaram-no com suas “visagens” e sempre um frio percorria o corpo de quem avistava-o no trapiche “conversando com os botos”, de quem já era encantado!

Mistérios na Amazônia... Verdade ou mentira, ficou o fato do Gonçalo morrer pouquíssimo tempo depois e, naquele trapiche, ninguém querer circular sozinho à noite.

Você talvez estranhe essa história, não são os botos vistos sempre como conquistadores? Sim, mas ali, na mente de todos era mais que isso, eram símbolos de morte quando simpatizavam com a alma de alguém. Acreditou-se por muito tempo nisso e, de boato em boato, aí está mais um fato marcante na história e agir de todos daquele lugar e tempo... um pouco acima das três bocas, tantos anos atrás, lá nas margens do Jacaré grande!!

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O Brasil não é mulato nem o Nordeste é Salvador. Ou - o Brasil Ibérico, caboclo e indígena e a política de cotas.




Recentemente, houve uma polêmica em torno da escolha dos brancos Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert como apresentadores do sorteio da Copa, deixando de lado os mulatos Camila Pitanga e Lázaro Ramos. O imbróglio revela a um só tempo a força do movimento negro e o preconceito e discriminação a que todos os cidadãos brasileiros que não são afrodescendentes podem sofrer nesses tempos de politicamente correto e de imitação das neuras estadunidenses nesse lado de cá do hemisfério. Esta discriminação assume um aspecto ainda mais feroz porque não se restringe ao campo jurídico, não diz respeito apenas ao estabelecimento de leis que dificultam a vida de indivíduos de etnias diversas, mas porque estabelece um discurso de classificação racial alheio à realidade do país, importado dos conflitos raciais da América do Norte, e que apaga da memória oficial ou menospreza elementos cruciais da formação nacional.
Um promotor, ao opinar sobre o a escolha realizada no sorteio, afirmou que os atores mulatos ”representam melhor a composição étnico racial do povo brasileiro.”[1]. Onde, mizifio? Segundo o censo do IBGE, mais da metade da população desse país, que o promotor citado desconhece, se declara branca [2]. Esse pessoal não pode ser representado por causa de quê? Lá na festa da FIFA escolheram Olodum, Maragareth Menezes, Alcione, Vanessa da Mata, Alexandre Pires para que apresentassem a música brasileira. Ninguém buscou representar o som regional do Centro Oeste ou do Sul do país, por exemplo. Não vejo ninguém querendo abrir investigação por causa disso.
Se a desculpa pela preeminência de figuras negras entre os artistas selecionados se dá por causa da realização do sorteio em Salvador, não custa lembrar que a população cabocla é tão ou mais significativa no Centro Oeste, Norte e Nordeste do país do que a de pretos e mulatos. O IBGE usa cinco classificações étnico/raciais nas estatísticas oficiais: brancos, amarelos, negros, indígenas e… pardos. Os pardos incluem todos os mestiços, que são tradicionalmente designados no país com termos diferentes para se fazer referência à sua ascendência: mulatos, caboclos, cafuzos. No Sudeste, o mestiço predominante é o mulato, e assim também ocorre em algumas cidades de Goiás e em Recife e Salvador – estas últimas foram capitais nordestinas muito marcadas pela importação de africanos. Mas nas demais regiões brasileiras – Sul, Norte, Centro-Oeste e Nordeste –, um dos tipos mestiços mais comuns, quando não o dominante, é o caboclo.Toda essa massa é escondida pelas pesquisas oficiais de cor do brasileiro porque são empurrados para o rótulo de ”pardos”, e este, por sua vez, é sinonimizado nas políticas públicas e na mídia com a figura do afrodescendente. Será que ainda se ensina nas escolas do Sudeste que grande parte dos mestiços desse país não tem ascendência africana? Pra essa gente, só se é brasileiro típico se você possuir algum pé na África, pouco importando se este gene africano é minoritário, irrelevante ou inexistente no fenótipo ou cultura de setenta por cento da população desse país [3].


O problema se torna ainda mais nítido quando se sabe que boa parte dos autodenominados brancos no Brasil são mestiços e, principalmente, caboclos. Para a Cultura Amazônica, nordestina [o típico nordestino do sertão, da caatinga], campeira e pecuarista, do peão e do pequeno agricultor do interior, da viola, do catolicismo arraigado, as marcas do africanismo são ou pequenas ou subordinadas a outros elementos étnicos [4]. E ainda assim o IBGE, a mídia, e as políticas públicas oficiais as impõem a todo este contingente populacional que se espraia pela maior parte do território nacional.No fundo, a importação dos dilemas do movimento negro estadunidense para estas regiões da América provocaram, para além de consequências positivas cá e acolá para pretos e mulatos, mais um ciclo de dominação do Brasil costeiro e voltado para USA e Europa sobre o Brasil profundo, e um afastamento em relação a muito do que nos une e aproxima dos vizinhos sul-americanos, que possuem uma herança fortemente indígena em sua constituição cultural e racial [5].


Não podemos nos esquecer também que, se é verdade que não somos herdeiros culturais e raciais dos vikings, também é verdade que fomos colonizados por um povo branco e europeu [com pitadas cá e lá doutros povos também brancos e europeus], que estabeleceu nestas florestas o cerne daquilo que em nós é civilização. Fingir que essa matriz civilizacional portuguesa, branca e católica-romana não existe é se tornar cego para a própria realidade que chamamos Brasil, que é, pra falar o óbvio ululante, herdeira da interiorização pela América Portuguesa de noções e esquemas de poder e sociedade metropolitanos.
E aqui se insere a questão da política de cotas que tomou conta do país. Sou contra cotas baseadas no critério de raça por vários motivos, sendo o principal deles a apropriação das dita cujas por movimentos organizados, de matiz africanista, importados do estrangeiro, e que moldam não só o debate racial, como são também racistas, se não sempre em teoria, quase sempre na prática, o que tem consequência deletérias para diversos grupos étnicos brasileiros, que somem de vista em um verdadeiro ”apagão histórico-racial”, além de impulsionar uma ”americanização” da forma como a sociedade brasileira se percebe. Não falo do muxoxo de loiros da Barra da Tijuca, mas da sacanagem feita com caboclos e indígenas e do sufocamento do Brasil, esse país ibérico. Last but no least, a abordagem racialista muitas vezes distorce o verdadeiro problema, que é a imensa concentração de renda do país, e que seria melhor combatido com uma sistemas de cotas fundamentadas em critérios sócio-econômicos.


[3] ”Resumidamente, eis as conclusões do grupo de geneticistas: a quase totalidade dos genes dos brancos brasileiros de hoje, herdados por via paterna, vieram de portugueses; já no que respeita ao que foi recebido pela linhagem materna, 60% veio de índias e negras. O trabalho será publicado na edição de abril da revista Ciência Hoje. Para Sérgio Pena, a surpresa maior foi encontrar tamanha contribuição ancestralidade indígena na população branca. “Todo mundo no Brasil já aceita o fato de que nós somos mestiços, mas não com índios”, diz. […] Entre os homens não houve grande surpresa. Nada menos do que 98% dos haplótipos encontrados por Sérgio Pena e seus colaboradores (Denise Carvalho-Silva, Juliana Alves-Silva, Vânia Prado e Fabrício Santos) são atribuíveis a uma origem européia, particularmente a portugueses (que possuem uma fisionomia genética própria por conta da influência moura, ou norte-africana). A comparação foi estabelecida com auxílio de uma amostra de 93 homens portugueses, fornecida pelo geneticista Jorge Rocha, da Universidade do Porto. […] Bem diferente é o panorama da genealogia colonial oferecido pelas linhagens maternas, ou seja, pelos polimorfismos do mtDNA. Nesse caso, a distribuição é bem mais uniforme: 39% de contribuição européia, 33% de indígena e 28% de africanas.”
http://www.online.unisanta.br/2000/04-01/ciencia3.htm.
Ver também: http://www.icb.ufmg.br/labs/lbem/pdf/retrato.pdf
[4] http://www.youtube.com/watch?v=pjiNMoh7L5Q
Ver também Darcy Ribeiro na obra ”O Povo Brasileiro”: ”Só assim se explica, de resto, o próprio fenótipo predominantemente brancóide de base indígena do vaqueiro nordestino, baiano e goiano. Tais características têm sido interpretadas, por vezes, como resultado de uma miscigenação continuada com grupos indígenas dos sertões. A hipótese parece historicamente insustentável em face da hostilidade que se desenvolveu sempre entre vaqueiros e índios, onde quer que se defrontassem. Disputando o domínio dos territórios tribais de caçadas para destiná-los ao pastoreio e lutando contra o índio para impedi-lo de substituir a caça que se tornara rara e arredia nos campos povoados pela nova e enorme caça que era o gato, os conflitos se tornavam inevitáveis. Acresce que a suposição é desnecessária, porque partindo de uns poucos mestiços tirados das povoações da costa –e aos quais não se acrescentou nenhum contingente imigratório branco ou negro — teríamos, natural e necessariamente, pelo imperativo genético da permanência dos caracteres raciais, a perpetuação do fenótipo original. Tudo isso parece ser verdade. A antropologia, porém, nega a história, mostrando a cabeça chata enterrada nos ombros, que não pode vir do nada. É inevitável admitir que, roubando mulheres ou acolhendo índios nos criatórios, o fenótipo típico dos povos indígenas originais daqueles sertões se imprimiram na vaquejada e nos nordestinos em geral.
[5] Vide a influência do nheengatu como língua geral da América Portuguesa até o século XVIII, e que está na base de boa parte do modo de falar do ”caipira”: ”Caipira é aquele que fala o dialeto caipira. É português, mas com palavras tupi e sotaque da língua brasileira. A língua brasileira é onheengatu, que existiu no Brasil até ser proibida por Portugal, no século 18. Seu nome parece coisa de índio, e é. O nheengatu incorpora a fala dos índios tupi, que ocupavam o litoral brasileiro. Na verdade, até hoje, quem se refere ao Ibirapuera, fica jururu, come abacaxi ou se pendura num cipó está se expressando nessa língua. Há algum tempo, quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso usou a expressão “chega de nhémnhémnhém”, estava falando puronheengatu. No Brasil Colônia, era falada fluentemente em uma grande área do País, que ia de Santa Catarina ao Pará. A elite também se expressava por meio dela, embora não em todos os setores. Durante os processos, o juiz dispunha de um intérprete. “Tivemos uma língua brasileira até o século 18”, diz o professor José de Souza Martins, do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia da USP. “Só os portugueses, que eram estrangeiros, falavam português.” A língua foi criada no século 16 pelos jesuítas, destacando-se o Padre Anchieta. O fundador de São Paulo era lingüista. Para se entender com os nativos, classificou o tupi e criou uma gramática da língua geral. Ou seja, o nheengatu. “Uma língua de travessia, não é português, nem índio, eram ambas”, diz Martins. O português, nesse caso, era o que hoje chamamos arcaico. Convidava-se uma dona para uma função, em vez de uma senhora para um baile. E dizia-se coisas como agardece (agradece), alevantá e inorância. Os índios tinham dificuldade em falar palavras portuguesas como os verbos no infinitivo. E também palavras com consoantes dobradas (rr) ou terminadas em consoante. Além disso, colocavam vogal entre consoantes. Mulher, colher e orelha viraram muié, cuié e oreia. De sua dificuldade com o “erre”, vem o “pooorta”, reflexivo, com a língua tocando o céu da boca. Martins esclarece que “o dialeto caipira não é um erro, é uma língua dialetal”. Mais do que isso: “É uma invenção lingüística musical e social.” Os brasileiros viviam muito bem com ela, até que, no reinado de d. José I (1750 a 1771), Portugal a proibiu. O veto veio em um decreto do primeiro-ministro, o Marquês de Pombal. Bania o ensino do nheengatu das escolas. A decisão foi acatada nas salas de aula, mas o povo continuou falando no dialeto caipira. O tempo acabou por impor o português, mas o dialeto puro resiste. Ainda é falado em alguns pontos da fronteira com o Paraguai. E, em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, a 860 quilômetros de Manaus, uma lei de 2002 tornou o nheengatu língua co-oficial do município. Na contramão do decreto do marquês, determina que seja incentivado seu ensino nas escolas, e o uso nos meios de comunicação (o tucano e o baniva também se tornaram línguas co-oficiais). E ficou o “caipirês” da roça. Por essas bandas, ensina Martins, a língua se multiplica. “Quando o novo aparece, o caipira inventa, a partir da matriz da palavra, algo que tem sentido para ele.” Há certo tempo, Martins e um grupo de estudantes apresentaram questões a algumas pessoas. Perguntaram a um homem: “Você concorda ou não concorda?” O homem não entendeu. A pergunta foi sendo repetida, sem sucesso, até que um dos estudantes mudou a forma: “Você concorda ou disconcorda?” Deu certo.” [http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sotaque-vem-do-nheengatu-a-lingua-brasileira,160205,0.htm]
André Luiz dos Reis
Historiador, mestrando em História pela UFRJ, cristão ortodoxo e membro da NR-RJ.