terça-feira, 5 de maio de 2015

A importância de se abrir, para assistentes sociais e psicólogos, a ampla concorrência para a função de coordenador pedagógico nas escolas públicas.


Texto base:
Entrevista - Serviço Social na Educação

Objetivo: O texto pretende gerar um debate a respeito de um espaço sócio-ocupacional que possibilita a inserção do assistente social e psicólogos, nas escolas como coordenadores pedagógicos, numa perspectiva transformadora, pois permite o dialoga o espaço escolar com a dinâmica da realidade social e os próprios atores da realidade escolar.
A expectativa é de uma repercussão positiva e interessante desta problemática que se relaciona, principalmente, com o problema de violência escolar. Apesar de o debate ainda ser incipiente. O entusiasmo dos participantes deve ser tanto que fique evidente a importância desse intercâmbio de conhecimentos.

DESENVOLVIMENTO
A realidade educacional mostra que o coordenador pedagógico tem um importante papel de articulador e integrador dos processos educativos que se constroem no interior da escola. Sua atuação e seu trabalho podem contribuir de maneira significativa para que se realize na escola um ambiente educativo que favoreça ao desenvolvimento da aprendizagem, do conhecimento, do trabalho coletivo e interdisciplinar, da ética, da cidadania, na perspectiva de uma educação, de uma escola, de uma sociedade cada vez mais inclusiva.”
A educação se constitui como uma política social pública. Ela demanda o envolvimento de diferentes sujeitos sociais e diversas categorias profissionais. Nesse contexto, vem se fortalecendo a atuação do assistente social. Um dos principais desses profissionais na atualidade é compreender a realidade a partir de sua leitura crítica, propondo um exercício profissional convergente com o Projeto Político Pedagógico - PPP das escolas. O que se busca e determinar a normalidade das relações intra e extra-escolares.Temos como objetivo caminhar com os diversos movimentos pela defesa de políticas públicas de qualidade para todos. 
No campo da educação, devemos nos articular com os demais atores e promover debates que protagonizem e valorizem um ensino voltado para a emancipação do homem. Esta luta não é exclusiva dos educadores do campo da educação, mas também dos diversos atores atuantes na área, incluindo, evidentemente, a sua população usuária.
A escola é um dos pilares da sociedade. Ela reflete todos os processos presentes no meio social. E é por isso que surge a demanda do assistente social e de psicólogos para atuarem neste espaço social. Ali, há um espaço privilegiado para trabalhar com os alunos e as famílias temas como baixo rendimento escolar, drogas, violência, gravidez precoce, etc. Ao mesmo tempo, que assistentes sociais e psicólogos têm um papel importantíssimo na formação da cidadania de crianças e jovens. A cidadania é uma temática interdisciplinar, que abrange questões ligadas à Política, Sociologia, Psicologia, Psicologia Social, Serviço Social ao Direito e também à várias outras disciplinas. Esses conteúdos podem ser trabalhado nas disciplinas básicas e também em atividades extracurriculares, como nas oficinas. Para isso, é importante envolver os professores e a coordenação pedagógica. Os grêmios estudantis e as Associação de Pais e Mestres - APM, geralmente, também são bons aliados e, muitas vezes, tem maior facilidade de inserção na realidade dos alunos.
O assistente social e o psicólo têm um papel de mediador em diversas situações, não apenas na educação. Eles facilitam o diálogo, o debate e o entendimento. Na escola, as reuniões são instrumentos valiosos para que pais, alunos, professores e coordenadores pedagógicos possam discutir e refletir sobre determinadas questões muito delicadas, buscando uma solução consensual. Cabe a estes profissionais planejar de forma mais eficiente estes encontros e orientar as discussões em cima de questões críticas que estão sendo observadas no cotidiano da escola.
Jovens em uma condição de maior vulnerabilidade social, muitas vezes, apresentam dificuldades de acesso e permanência tanto no ensino básico, como no ensino superior.
A questão do acesso e permanência é uma questão muito delicada na escola pública, embora não seja inexistente na rede particular. Necessidade de trabalhar e gravidez inesperada são alguns dos principais motivos que levamos jovens a abandonar os estudos. Estes profissionais estarão mais atentos e poderão acompanhar de perto os alunos que se encontram nessa situação. Deve-se observar a assiduidade e sempre dialogar muito, para saber se há dificuldade em conciliar as aulas com as demais atividades. Em alguns casos, podem ser sugeridos ao aluno um outro tipo de trabalho, que lhe sobrecarregue menos. Estes profissionais também devem intervir junto à direção para serem compreensíveis, oferecendo maior suporte a esses estudantes e aos próprios gestores. Aulas de reforço em horários favoráveis e flexibilidade na remarcação de provas são formas de estimular o estudante a se manter matriculado.
Quando há o diagnóstico de que um aluno está sem interesse pelo aprendizado ou apresenta baixo rendimento, como eles poderão estimulá-lo a reverter esse quadro?
É sempre importante conhecer o contexto em que um determinado problema se situa. Quando diagnosticamos um baixo rendimento escolar, realizamos conversas com o aluno e a família, para buscar possíveis causas da situação, e os psicólogos e assitentes sociais são especialistas nesta área. Problemas de relacionamento em casa, separação dos pais, influência de amigos e diversos outros fatores podem gerar um desinteresse pelas aulas e estudos, tendo como consequência uma nota baixa. A abordagem diferencia de pessoa pra pessoa. Não há soluções prontas como uma receita de bolo. As estratégias devem ser pensadas considerando a especificidade de cada caso e buscando o envolvimento dos professores e, em alguns casos, de psicólogos.
Discutir a questão das drogas, da violência e de gravidez na adolescência sempre foi uma tarefa complicada, rodeada de tabus. Hoje, embora ainda existam resistências, muitos estereótipos foram superados. Existe alguma preocupação mais recente que ainda é pouco compreendida pela sociedade e pelos profissionais que atuam na escola?
Nós temos observado que o estresse, a agitação, a turbulência e a contestação, que são características da sociedade contemporânea, estão afetando precocemente muitos estudantes do ensino fundamental. Isso gera dificuldades psicocognitivas. Nesse contexto, surgem diagnósticos de déficit de atenção, déficit de alfabetização, hiperatividade, transtorno desafiador opositivo, etc. Diante de quadros como esses, é importante a compreensão e a participação de todos os atores da escola. Alguns fatores podem complicar a situação, tais como pais ausentes; dificuldade extrema de relacionamento com os amigos; problemas e dúvidas em relação à sexualidade que impeçam o seu desenvolvimento natural; cobrança excessiva em casa; falta de limites; conflitos exacerbados entre os pais; e excesso de atividades extracurriculares. Outro problema é que, muitas vezes, ocorre a rotulação, esteriotipização das crianças e adolescentes no espaço escolar. Cria-se um modelo de aluno padrão e aqueles que fogem à regra são logo alvo de críticas.
Uma outra discussão que tem ganhado fôlego sobretudo na imprensa está relacionado ao bullying. Tem sido comum a veiculação de reportagens que associam adultos com comportamentos violentos e traumas da infância. Trabalhar esse tema tem sido uma preocupação nas escolas?
O que hoje está sendo chamado de bullying sempre existiu. Trata-se apenas de uma nomenclatura moderna. É uma violência psicológica, social e física que se faz presente principalmente nas escolas. Piadas e apelidos são comuns entre crianças em idade escolar. Em alguns casos, geram problemas de autoestima e causam traumas. Quando a família é presente e dialoga mais com a criança, há menos riscos de desenvolvimento destes traumas. Mas a escola também tem o seu papel, de acompanhar as brincadeiras das crianças e discutir com elas os limites. Entretanto, no mundo contemporâneo, as redes virtuais criam um fator novo. Essas piadas e apelidos se dão fora do espaço escolar. E não é papel da escola e nem tão pouco dos professores monitorarem as ações dos estudantes na internet. Não temos a função e nem o direito de investigar a vida particular de cada um. O que devemos ficar atentos é se esses casos de bullying estão se refletindo no dia-a-dia do aluno na escola e assitentes sociais e psicólogos são peritos nisto.
É presente no senso comum a ideia de que os problemas sociais têm muito impacto nas escolas públicas e pouco impacto nas escolas particulares. Há correspondência entre esta ideia e a realidade? O que diferenciaria o trabalho do assistente social na escola pública e na escola privada?
Existem situações que se manifestam com mais frequência em cada uma delas. Na escola pública, por exemplo, a evasão escolar é maior. Por outro lado, questões como violência, drogas, precarização das condições socioeconômicas, gravidez e diversos conflitos no campo familiar estão presentes na realidade tanto de instituições públicas como das particulares. Entretanto, eu percebo que nas escolas privadas os casos concretos são maquiados, como se a vida do aluno fora dali fosse um tabu. A escola não quer intervir e, ao mesmo tempo, os pais não querem expor os filhos. A ação desses profissionais nestes casos é de fundamental importância para uma possível intervenção.
As novas tecnologias abrem outras possibilidades de trabalho? Que instrumentos da modernidade pode auxiliar a este novos profissionais da educação?
No curso de TIC's que fiz no NTE da 5ª URE ficou evidente para os cursistas que existem diversas atividades que são planejadas a partir dessas novas ferramentas da era virtual. Fotografias, vídeos e filmes veiculados no facebook, whatsapp, Istangram e outros populares são exemplos de instrumentos que podem ser usados para discutir temas diversos. No curso, nós também passamos por uma etapa em que debatemos como lidar com as redes sociais, enfatizando que elas podem ser bem ou mal utilizadas. Enquanto estive em sala de aula, propus uma atividade onde os alunos poderiam construir um blog, através do qual os que tivesse mais facilidade em determinadas disciplinas fornecem uma monitoria para os demais. Era uma forma de mostrar a eles como a internet pode ser bem utilizada.
Ainda pensando nos fazeres destes profissionais, o que mais podemos abordar?
O trabalho cotidiano deste profissionais envolve ainda possíveis visitas domiciliares, atendimentos sociais, abordagem de grupos, estudos socioeconômicos e diversas outras atividades para as quais eles foram preparados na graduação. É preciso aprofundar o debate sobre a articulação entre os movimentos políticos e sociais e o exercício profissional, em suas relações junto aos usuários, estudantes, famílias e comunidade. Também é fundamental a articulação entre a educação e as demais políticas e programas sociais, considerando que certas questões não têm início e nem fim próprio no campo educacional. È importante se fazer testes vocacionais que não é algo muito comum nas escolas públicas de minha cidade.
Além das ações internas, estes profissionais devem planejar atividades fora da instituição de ensino, apresentando ao aluno essa interação que existe entre a escola e o meio social?
As parcerias com instituições externas à escola permitem ampliar as possibilidades de trabalho destes profissionais. Por exemplo, realizar oficinas sobre reciclagem em parceria com o Serviço de Limpeza Urbana, o debate sobre o que é o protagonismo cidadão, juntamente com o projeto Parlamento jovem, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. A escola é parte da sociedade e, exatamente por isso, devemos promover um trânsito de informações com as demais instituições. Podemos trazer palestrantes para dentro da escola e, ao mesmo tempo, levar os alunos para fora dos muros, como por exemplo aos CAPS da cidade, à assilos e etc.
CONCLUSÃO
Ressalte-se, ainda, a importância de se trabalhar a dimensão da inclusão na e da escola. Por certo, é preciso que a escola seja capaz de trabalhar com a diferença e diversidade de modo a se romper com práticas e estruturas que tendam a reforçar preconceitos e relações excludentes de diferentes matizes, étnicas, raciais, religiosas, físicas, dentre outras.”
As escolas estão compreendendo cada vez mais a importância de ter e manter estes profissionais em seus quadros. Mas ainda há resistência. As figuras do professor, do diretor e do próprio coordenador pedagógico, como uma pedagogo, no máximo um psicopedagogo, são muito tradicionais. Os profissionais que ocupam essas posições já têm um espaço consolidado e sentem medo de ter seu território invadido. Adotam uma postura de defesa automática contra tudo aquilo que pareça uma ameaça. Mas na verdade, a atuação destes profissionais não invade espaços de ninguém. Ela cria um ambiente novo que contribui com os demais. Aos poucos, as pessoas vão compreender melhor. Em Santarém, algumas instituições optam por encaminhar alguns casos para a rede dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), que possui profissionais especializados para atender alunos, ou mesmo para o Conselho Tutelar. Eles contribuem bastante com essa interlocução. Mas a presença de um Assistente Social ou de um Psicólogo no local onde ocorre o processo ensino-aprendizagem tem mais condições e elementos para avaliar cada situação, e sua intervenção é mais próxima, rápida e eficaz.


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