terça-feira, 25 de setembro de 2018

Teoria da Rotatividade das Elites



A CRÍTICA DE GRAMSCI À TEORIA DAS ELITES: PARETO, MOSCA E MICHELS E A DEMOCRACIA BURGUESA. In: http://www.unicamp.br/cemarx/anais_v_coloquio_arquivos/arquivos/comunicacoes/gt1/sessao4/Anita_Schlesener.pdf 


O presente ensaio visa a refletir sobre a posição de Gramsci ante a teoria das elites de Vilfredo Pareto, a noção de classe política de Gaetano Mosca e o conceito de líder carismático de Robert Michels, a fim de mostrar a sua atualidade ante situações políticas que, no contexto da democracia burguesa, reproduzem no cotidiano político as recomendações desses três grandes intelectuais italianos. Na raiz desse confronto de Gramsci com a teoria das elites, o esclarecimento de conceitos fundamentais para o movimento político dos trabalhadores, quais sejam, as noções de transformismo e consciência de classe. O transformismo se configura, em linhas gerais, como o processo de cooptação dos potenciais dirigentes das classes subalternas, os elementos mais capazes de organizar e dirigir um movimento, por parte das elites dominantes. A consciência de classe traduz-se na nova concepção de mundo que as classes dominadas precisam elaborar no bojo de suas lutas políticas. Ora, como impedir esse processo constante de cooptação que ocorre no curso político das lutas das classes trabalhadoras? Trata-se, no fundo, de explicitar as relações de hegemonia e o compromisso dos intelectuais das classes subalternas enquanto dirigentes que as representem de modo estável, acentuando o significado e a importância de relações efetivamente democráticas. O primeiro aspecto a acentuar, como pressuposto ao questionamento rigoroso e permanente que Gramsci apresenta à teoria elitista do poder, são as características da democracia burguesa que Gramsci entende que devam ser criticadas por seu caráter instrumental e mistificador, bem como aquelas que ele considera importantes como conquista histórica, ou seja, herança cultural e política a ser ampliada no contexto do socialismo. A crítica ao ideário liberal como modelo utópico e como base de sustentação da ordem instituída é um meio de apropriação da herança cultural e histórica na construção da democracia socialista. O segundo ponto a desenvolver é sobre as características básicas da teoria das elites como pressuposto para a prática democrática na sociedade burguesa. Trata-se de um modo de conceber a política a partir da afirmação de lideranças políticas que, por sua origem e formação, atribuem-se o direito de dirigir e comandar as massas populares que, por sua condição social e histórica, não estão aptas a governar. A base de sustentação do elitismo é, entre outras, o individualismo que fundamenta o modo de pensar na sociedade burguesa: assim como o indivíduo é preparado para a sociedade de consumo, que o faz crer que realmente escolhe os produtos que pretende consumir, a democracia burguesa constrói-se sobre a crença de que o indivíduo escolhe livremente, entre aqueles que se apresentam a cada nova eleição, o seu governante. O terceiro aspecto a ser tratado é como a teoria das elites funciona na democracia burguesa, na formação e fragilidade dos partidos políticos e no transformismo, que dificulta e leva até a abortar a maioria dos processos de formação política que nascem no seio do movimento operário.


 
 








 

Teoria das Elites: O poder político monopolizado pelos governantes... - Veja mais em https://educacao.uol.com.br/disciplinas/sociologia/teoria-das-elites-o-poder-politico-monopolizado-pelos-governantes.htm?cmpid=copiaecola&cmpid=copiaecola

A teoria das elites surgiu no final do século 19 tendo como fundador o filósofo e pensador político italiano, Gaetano Mosca (1858-1941). Em seu livro "Elementi di Scienza Política" (1896), Mosca estabeleceu os pressupostos do elitismo ao salientar que em toda sociedade, seja ela arcaica, antiga ou moderna, existe sempre uma minoria que é detentora do poder em detrimento de uma maioria que dele está privado. Os poderes econômicos, ideológicos e políticos são igualmente importantes, mas em seus escritos Mosca deu ênfase à força política das elites. O restrito grupo de pessoas que a detém também pode ser denominado de classe dirigente. De acordo com esta teoria as sociedades est...


TEORIA DAS ELITES – UMA SÍNTESE DA VISÃO DOS PRECURSORES. In: http://conhecer21.blogspot.com/2012/11/teoria-das-elites-uma-sintese-da-visao.html

A ideia não é nova. Platão, n’A República, concebe uma sociedade ideal a ser governada por especialistas, filósofos de rigorosa formação, conforme idealiza. Estes, tendo aprendido a verdade, seriam dali por diante guiados exclusivamente por ela, e a chegada à condição de “filósofo rei”, o governante escolhido, não deixa de ser uma forma de seleção de elites.
O elitismo encara, de modo geral, a desigualdade como fato natural. Isto pode ser demonstrado pelo tratamento dispensado pelo pensamento elitista àqueles que compõem a elite dirigente.
Do século XIX aos dias de hoje, entretanto, a teoria das elites experimentou diversas mudanças, tendo sido alvo de sucessivas reinterpretações, e apropriada de maneiras distintas.
De um conjunto de teses antiigualitárias e antidemocráticas, ao menos aparentemente, quando observadas a partir dos padrões atuais, passou a ser tomada como uma análise realista do sistema democrático. Na formulação de seus autores e comentadores mais recentes, o que o elitismo visa a demonstrar é que, com efeito, qualquer sistema político, mesmo o democrático, é dirigido por minorias. A democracia, contudo, se distingue por ter no poder não uma elite fechada, cristalizada em um só grupo que se reproduz internamente, e sim aberta, renovada por meio de um processo de livre concorrência pelos votos do eleitorado, como deixa claro Schumpeter, por exemplo, que na década de quarenta do século vinte, ao buscar definir democracia, assegura que esta constitui apenas um método para se chegar a decisões políticas através da escolha da elite governante.
Portanto, em qualquer sistema, mesmo os mais igualitários, em qualquer forma de governo, mesmo as ditas democráticas, poderia ser constituída uma classe espoliadora, pouco interferindo o modo como fosse escolhida ou alcançasse a dominância. Assim, muito mais importante do que impor essa ou aquela forma de eleição, muito mais importante do que poder escolher em nome de quem se faria a espoliação, era evitar a própria espoliação. É certo, porém, ressalvava Pareto, que “quando a classe dominante é recrutada por hereditariedade ou por cooptação, o seu jugo é mais odioso do que quando ela é recrutada por eleição; daí não se segue, contudo, que ele seja também mais pesado. Ainda não foi devidamente demonstrado que um governo oligárquico tenha sido mais desonesto do que o da municipalidade de Nova York, eleito pelo sufrágio universal. O povo da Toscana era mais feliz e menos espoliado sob o governo absoluto de Leopoldo do que no governo constitucional atual.”
A Teoria das Elites, embora concebida entre o final do século XIX e início do século XX, a partir do pensamento de Gaetano Mosca com sua doutrina da classe política, Vilfredo Pareto com a teoria da “circulação das elites” e Robert Michels com a ideia da “lei de bronze das oligarquias” mostra-se, desta forma, bastante atual. E é a partir dessas visões que será aqui tratada.

 

 

 Jon Elster e a democracia. In: http://adrianocodato.blogspot.com/2010/01/jon-elster-e-democracia.html

 

Essa entrevista de Elster à Folha, embora antiga, toca em dois pontos importantes, a meu ver: a necessidade de pensar a democracia deliberativa a partir de seus "mecanismos", e não apenas de valores; e a dificuldade do socialismo em manter as pessoas mobilizadas e interessadas em política todo o tempo.
Teoria das Elites e Análise Tocquelliana - Unioeste. In: e-revista.unioeste.br/index.php/temasematizes/article/download/550/461 

O presente texto pretende efetuar a contraposição das teorias marxistas e a teoria das elites com o trabalho de Alexis de Tocqueville com o objetivo de estabelecer paralelos e mostrar antagonismos e coincidência xistentes entre a teoria confrontada e o modelo do autor. O intento é fazer emergir novas questões, deixando-as em aberto, à espera de novas discussões. Contrastar elementos da teoria das elites com o modelo tocquevilliano, significa operar com uma perspectiva crítica que se prende mais ao seu objeto de análise, pelo fato de que tal teoria pode ser vista como um modelo competitivo de democracia. Para Thomas Bottomore existem certos teóricos da elite que tentam se reconciliar com o conceito de democracia (Cf. Bottomore, 1965, p. 130-134). Se o intuito é questionar o princípio da representatividade no esquema liberal, a teoria das elites pode oferecer os elementos para isso. Em sua obra, Tocqueville deixa transparecer que acredita na possibilidade de um governo “do povo, pelo povo, para o povo”: “Na América o princípio da soberania do povo não é estéril nem está escondido, como sucede em outras nações; é reconhecido pelos costumes e proclamado pelas leis; espalha-se livremente e chega sem impedimento às suas conseqüências mais remotas” (Tocqueville, 1969, p. 68).



Referências Bibliográficas: 

DIAS, Edmundo Fernandes. Gramsci em Turim: a construção do conceito de hegemonia. São Paulo : Xamã, 2000.
GRAMSCI, Antonio, Scritti giovanili (l9l4-l9l8). Torino : Einaudi Editore, l975a. 
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______. Quaderni del Carcere..Torino : Einaudi Editore, l977, 2a. ed. 
LOSURDO, Domenico, Antonio Gramsci: dal liberalismo al “comunismo critico”. Roma : Gamberetti, 1997. 
NATOLI, Claudio (Org.) Marxismo e Liberalismo: Una riflessione critica di fine secolo. Milano : Franco Angeli, 1995. 
SCHLESENER, Anita Helena, Hegemonia e Cultura: Gramsci. Curitiba : Ed. UFPR, 1992. 
______. Revolução e Cultura em Gramsci. Curitiba : Ed. da UFPR, 2001. 
______. Antonio Gramsci e a política italiana. Pensamento, polêmicas, interpretação. Curitiba : UTP, 2005.  



GRYNSZPAN, Mario. Ciência, política e trajetórias sociais: uma sociologia histórica da teoria das elites. Rio de Janeiro: FGV, 1999. 255 p.
MICHELS, Robert. Sociologia dos Partidos Políticos. Tradução de Arthur Chaudon. Brasília, UnB, 1982.
MIGUEL, Luis Felipe. A democracia domesticada: bases antidemocráticas do pensamento democrático contemporâneo in http://dx.doi.org/10.1590/S0011-52582002000300006 
MOSCA, Gaetano. La clase política. México: Fondo de Cultura Económica, 1992.
PARETO, Vilfredo. Coleção Grandes Cientistas Sociais, (org.) J. A. Rodrigues. São Paulo: Ática, 1984.
PERISSINOTTO, Renato. As elites políticas: questões de teoria e método. Curitiba: IBPEX, 2009.

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