sexta-feira, 8 de junho de 2018

A lenda da Iara e a ninfomania.





Texto base 1: Origem da lenda da sereia, personagem do folclore brasileiro, lenda da região amazônica, características. In: https://www.suapesquisa.com/folclorebrasileiro/lenda_iara.htm
Texto base 2:  Iara: a sereia brasileira. In: http://www.marioedianacorso.com/iara-a-sereia-brasileira



Introdução

É lógico que nessa lenda a relação direta é com o eterno estado de lubrificação da vagina, estar sempre "molhadinha", pronta para o ato sexual e com a água que torna o ato sexual mais prazeroso para todas as "sereias" sejam dos igarapés, rios ou do mar!

A representação social da Iara é a de uma ninfomaníaca que gosta de manter relações sexuais nas margens dos rios e igarapés. Na maioria das vezes são relações proibitivas, no caso das mulheres casadas, para que o jovem ou adolescente, que manteve relação com ela, não conte nada a ninguém, ela ameaça contar tudo para o marido que poderá matar o jovem. Já no caso das adolescentes menores o caso tem que ficar abafado, mesmo por que, na maioria das vezes o enquadramento é de ESTUPRO PRESUMIDO DE VULNERÁVEL.
Será que a Iara "matou" seus irmãos quando ela manteve relações sexuais com os mesmos?!


Também conhecida como a “mãe das águas”, Iara é uma personagem do folclore brasileiro. De acordo com a lenda, de origem indígena, Iara é uma linda sereia (corpo de mulher da cintura para cima e de peixe da cintura para baixo) morena de cabelos negros e olhos castanhos.
Com longos cabelos pretos e olhos castanhos, a sereia Iara emite uma melodia que atrai os homens, os quais ficam rendidos e hipnotizados com seu canto e sua voz doce.
Reza a lenda que os irmãos sentiam inveja de Iara, também considerada corajosa guerreira e, por isso, resolvem matá-la.
Todavia, no momento do embate, pelo fato de possuir habilidades guerreiras, Iara consegue inverter a situação e acaba matando seus irmãos. Diante disso, com muito medo da punição de seu pai, o pajé da tribo, Iara resolve fugir, mas seu pai consegue encontrá-la. Como castigo pela morte dos irmãos, ele resolve lançá-la ao rio. Os peixes do rio resolvem salvar a bela jovem transformando-a na sereia Iara.



A lenda conta que a linda sereia fica nos rios do norte do país, onde costuma viver. Passa grande parte do tempo admirando sua beleza no reflexo das águas, brincando com os peixes e penteando seus cabelos com um pente de ouro.
Nas pedras das encostas, costuma atrair os homens com seu belo e irresistível canto, que ecoa pelas águas e florestas da região. As vítimas costumam seguir Iara até o fundo dos rios, local de onde nunca mais voltam. Os poucos que conseguem voltar acabam ficando loucos em função dos "encantamentos", melhor dizendo maldições da sereia. Neste caso, conta a lenda, somente um ritual realizado por um pajé (chefe religioso indígena, curandeiro) pode livrar o homem do feitiço.


Acredita-se que se o homem consegue escapar dos encantos de Iara ele fica louco, num estado de torpor e somente um pajé poderá curá-lo.


Origem da personagem

Contam os índios da região amazônica que Iara era uma excelente índia guerreira. Os irmãos tinham ciúmes dela, pois o pai a elogiava muito. Certo dia, os irmãos resolveram matar Iara. Porém, ela ouviu o plano e resolveu matar os irmãos, como forma de defesa. Após ter feito isso, Iara fugiu para as matas. Porém, o pai a perseguiu e conseguiu capturá-la. Como punição, Iara foi jogada no rio Solimões (região amazônica). Os peixes que ali estavam a salvaram e, como era noite de lua cheia, ela foi transformada numa linda sereia.


Curiosidades:

- A palavra Iara é de origem indígena. Yara significa “aquela que mora na água”.
- De acordo com algumas versões da lenda, quando está fora das águas, Iara se transforma numa linda mulher, perdendo seus poderes.
- A "rainha das águas" como também é conhecida Iara, possui o poder de enfeitiçar os homens que olham diretamente em seus olhos.


Até Ulisses, guerreiro invencível e grande estrategista, viu-se mal frente aos encantos irresistíveis das sereias. Mulheres, diria ele, são mais perigosas que qualquer inimigo. Envolventes, elas não querem nada menos que tudo… Entre os diversos tipos de monstros femininos, a começar pelas bruxas (as matriarcas do território mágico), provavelmente as sereias sejam as que melhor encarnam a representação da mulher como uma cilada, aquelas cuja sedução é tão irrecusável quanto mortífera.
A Iara é a versão brasileira da sereia, esse ser metade mulher, metade peixe, que existe no folclore de quase todos os povos. Sua imagem é duma mulher atraente: teria os cabelos loiros longos, os olhos claros, geralmente verdes, e, da cintura para baixo, um rabo de peixe do tamanho equivalente ao das pernas. Sua arma é o encanto, tanto pela linda voz com que canta, como pela sua aparência deslumbrante. Faz parte ainda de sua sedução a promessa de riquezas ou de uma vida melhor em seu reino subaquático. Com essas iscas atrai as vítimas para seus domínios. Enquanto as sereias consumam o bote de uma vez, a Iara pode atuar também a longo prazo. Depois do golpe do amor à primeira vista, a Iara instala-se no coração da vítima, a qual, por mais que tente resistir, acaba buscando-a e some no rio.
Ao contrário do que se pensa e do que o nome sugere, não se trata de um mito indígena. Os nossos índios tinham personagens aquáticos, mas não eram propriamente sedutores: eles agarravam e matavam suas vítimas de forma gratuita e brutal. O que temos no caso da Iara é a versão de um mito europeu, recontada com as tintas da paisagem local. Embora seu nome possa ser traduzido do tupi por “senhora” (também no sentido de ter um domínio), seu nome talvez provenha dum personagem indígena que vivia nas águas, o Ipupiara, textualmente: o que reside no fundo das águas. A mistura desse demônio indígena, geralmente masculino, com o mito europeu da sereia resultou na Iara. Na verdade, fora o nome, ela em pouco difere da sereia européia. Às vezes, é descrita como sendo constituída por uma metade mulher e uma metade cobra. Nesse caso, provavelmente estamos frente a um resquício de outro personagem: a Cobra-grande, um mito indígena aquático. Outras vezes, é confundida com a Mãe-d’água, esse sim um mito genuinamente nacional, mas que só tangencialmente podemos ver nele elementos em comum com a sereia. Para os índios tudo tem uma mãe (uma Cy), que é ao mesmo tempo a origem da coisa e o espírito protetor que a guarda, ora, os rios também teriam esse ser guardião, essa “mãe”.
Mais do que peixe n’água, uma mulher sabe ser uma boa isca. Sabendo fazer caras e bocas não há homem que consiga resistir, já que recusar seus encantos faz os homens sentirem-se menos viris. Não se trata apenas de uma correlação entre os atrativos femininos e os hormônios masculinos, a sedução é o tipo de apelo que fica mal não atender, por isso mesmo os mais viris sucumbem. Porém, ao segui-la, a presa afoga-se ou fica presa em seus domínios. É aí que o caçador torna-se caça.
Mas para onde vão os capturados pelas sereias? Predominantemente são pensados como mortos. Quanto às sereias gregas não há dúvidas, a ilha em volta está cheia de carcaças humanas, viraram pasto. As européias é possível que também consumam suas presas, mas lá já fica a dúvida, que na Iara já é bem maior, de que eles estariam presos nesse reino prodigioso, vivendo do bom e do melhor. A Cotaluna, sereia de João Pessoa, é uma variação regional da Iara. Essa sim deixa seus homens partirem depois da captura, porém eles nunca mais serão os mesmos, ela lhes sugou a força vital, tornado-os destituídos de vontade. De qualquer maneira, creio que esse mito alude ao quanto o amor é anti-social, pois os amantes fecham-se sobre si e dão as costas para o mundo.
Vale lembrar, que as sereias gregas que tentaram Ulisses eram hibridizadas com pássaros, do torso para baixo eram aves e viviam nas pedras junto ao mar. Portanto, o lado animal dessas perigosas fêmeas pode variar, mas não a ameaça que isso representa. No folclore europeu, como em tantos outros, as águas podem ser reinos de seres mágicos. De forma geral, águas calmas, lagos, represas e fontes costumam ser habitadas por seres femininos; enquanto nas águas agitadas, rios e corredeiras, encontram-se seres masculinos. Ambos são sedutores, mas as criaturas mágicas femininas – sereias ou ondinas – têm na sedução sua principal característica: costumam encantar jovens homens que se perdem nas águas para nunca mais serem vistos.
Tanto a sereia européia como a Iara representam a dificuldade de nossos antepassados para lidar com o sexo em geral e com a beleza e os encantos femininos em particular. A mulher era concebida como fonte do pecado e quanto mais bela, mais tentadora. A tentação, no caso, equivale ao descontrole, elas detêm o poder sobre o momento em que os homens deixam de ser senhores de sua vontade, podem enlouquecê-los e possuí-los… Perigosa assim, só mesmo a mãe. Uma mulher que os filhos pequenos sempre consideram linda e poderosa, cuja vontade acaba sempre prevalecendo à deles, e cujos encantos sempre se sobreporão a quaisquer outros no mundo. A sereia é herdeira do enamoramento do bebê por sua mãe, um vínculo que tende ao absoluto, ao todo, à mútua satisfação, ao apagamento do mundo em volta. O estado de entrega inebriada de um bebê mamando equivale ao de ser engolido pelas águas dessas criaturas híbridas, que na água parecem estar em seu elemento e é para ele que atrairão o seu homem-objeto.
Mas não podemos esquecer que  a Iara/Sereia, embora belíssima, em sua parte inferior esconde um animal. Psicanaliticamente falando, o problema das mulheres não é o que se vê da cintura para baixo: é o que não se vê. Freud dedicou linhas ousadas ao tema do fetichismo, ou seja, o que pode restar na vida erótica masculina frente à constatação da ausência do seu precioso órgão na metade dos indivíduos da humanidade. Onde foi parar o pênis desses, que ainda por cima se sexuam em torno de um buraco? Sem dúvida trata-se de um vazio cheio de sentimentos e sensações, mas que tem a marca de uma ausência. Por que não pensar que esses países baixos sejam de seres de outra espécie? Seria uma forma radical de ilustrar a diferença dos sexos.
Resta a questão do porquê os seres humanos dessa espécie “fêmea” seriam tão perigosos. A primeira explicação remete à anteriormente mencionada mãe, um personagem forte e inesquecível, que, ainda bem, só temos uma. A segunda, diz respeito às dificuldades oriundas dessa “castração” feminina, cuja existência é, para os homens, constante fonte de ameaça. Uma terceira hipótese poderia ser mais sociológica: carentes do poder formal, as mulheres, durante séculos de opressão masculina, desenvolveram formas ardilosas e caseiras de poder. Dentro do ambiente fechado e doméstico, onde um homem é atraído pela força de seus encantos, ele não passa de um joguete de seus desejos e intenções, mais tonto do que o pobre Macbeth, o falso rei do castelo.
Por último, convém não esquecer que o sexo sempre vem acompanhado de uma representação selvagem e ameaçadora. Ela é fruto das nossas hipóteses infantis que confundiam o intercurso sexual com um vínculo agressivo, em função da violência aparente das suas imagens e sons. Portanto, um personagem tão erotizado como a sereia não poderia dar em boa coisa. Moral da história: todo cuidado é pouco com os encantos femininos, o sexo é animal e, da cintura para baixo, é que está o perigo.

A LENDA DA IARA E DO BOTO ROSA – reflexões sobre o transtorno de personalidade borderline. In : https://www.bonde.com.br/colunistas/mitos-e-sonhos/a-lenda-da-iara-e-do-boto-rosa-reflexoes-sobre-o-transtorno-de-personalidade-borderline-309379.html

Canta, cantando o exílio, que os ecos repetem pela floresta, e que, quando chega a noite, ressoam nas águas do gigante dos rios.
Cai a noite, as rosas e os jasmins saem dos cornos dourados e se espalham pelo horizonte, e ela canta e canta sempre; porém o moço tapuio que passa não se anima a procurar a fonte do igarapé.
Ela canta e ele ouve; porém, comovido, foge repetindo: - "É bela, porém é a morte... é a Iara".
Uma vez a piracema arrastou-o para longe, a noite o surpreendeu... o lago é grande, os igarapés se cruzam, ele os segue, ora manejando o apucuitaua com uma mão firme, ora impelindo a montaria, apoiando-se nos troncos das árvores, e assim atravessa a floresta, o igapó e o murizal.
De repente um canto o surpreende, uma cabeça sai fora d'água, seu sorriso e sua beleza o ofuscam, ele a contempla, deixa cair o iacumá, e esquece assim também o tejupar; não presta atenção senão ao bater de seu coração, e engolfado em seus pensamentos, deixa a montaria ir de bubuia, não despertando senão quando sentiu sobre a fonte a brisa fresca do Amazonas.
Despertou muito tarde, a tristeza apoderou-se da sua alegria, o tejupar faz seu martírio, a família é uma opressão, as águas, só as águas, o chamam, só a solidão dos igarapés o encanta.
"Iara hu piciana!" Foi pegado pela Iara. Todos os dias, quando a aurora com suas vestes roçagantes percorre o nascente, saudada pelos iapis que cantam nas samaumeiras, encontra sempre uma montaria com a sua vela escura tinta de muruchi, que se dirige para o igarapé, conduzindo o pescador tapuio desejoso de ouvir o canto do aracuã. Para passar o tempo procura o boiadouro de iurará, porém a sararaca lhe cai da mão e o muirapara se encosta. As horas passam-se entregue aos seus pensares, enquanto a montaria vai de bubuia.
O acarequissaua está branco, porém o aracuã ainda não cantou. A tristeza desaparece; a alegria volta, porque o Sol já se encobre atrás das embauleiras da longínqua margem do Amazonas; é a hora da Iara.
Vai remando docemente; a capiuara que sai da canarana o sobressalta; a jaçanã que voa do periantã lhe dá esperanças, que o pirarucu que sobrenada o engana.
De repente um canto o perturba; é a Iara que se queixa da frieza do tapuio.
Deixa cair o remo; Iara apareceu-lhe encantadora como nunca o esteve.
O coração salta-lhe no peito, porém a recomendação de sua mãe veio-lhe à memória: "Taíra não te deixes seduzir pela Iara, foge de seus braços, ela é munusaua".
O aracuã não cantava mais, e do fundo da floresta saía a risada estrídula do jurutaí.
A noite cobre o espaço, e mais triste do que nunca volta o tapuio em luta com o coração e com os conselhos maternos.
Assim passam-se os dias, já fugindo dos amigos e deixando a pesca em abandono.
Uma vez viram descer uma montaria de bubuia pelo Amazonas, solitária porque o pirassara tinha-se deixado seduzir pelos cantos da Iara.
Mais tarde apareceu num matupá um teonguera, tendo nos lábios sinais recentes dos beijos da Iara.
Estavam dilacerados pelos dentes das piranhas.




Mamula Trailer



Siren Official Trailer

Referências:

Lenda da Iara. In: https://www.todamateria.com.br/lenda-da-iara/













Nenhum comentário:

Postar um comentário